Pauaz - auto-retrato

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Pauaz - auto-retrato

Mensagem  pauaz em Qua Jun 10, 2009 12:33 pm

Tirado por mim, este retrato não vai certamente ser um positivo perfeito, no que à minha imagem diz respeito. Foto a preto e branco, com pequenas, mas nem por isso menos importantes nuances, coloridas, mas para já sem grande trabalho laboratorial.
Tenho 53 anos, sou casado, tenho um filho com 24 anos do qual me orgulho bastante e não perco oportunidade de o dizer. Trabalho na área comercial como técnico de vendas, para o qual não tenho vocação alguma.
Fui até Maio de 2005, uma pessoa introvertida, reservada, distante de tudo e de todos inclusivamente da família. Sempre senti necessidade de me isolar, sem no entanto querer ficar só. Nunca fui por conseguinte muito sociável apesar de ter vivido grande parte da minha vida adulta rodeado de centenas de pessoas devido à minha actividade extra profissional que tinha, como músico.
Longe de ser ou me sentir um “intelectual de café”, porque nem mesmo aí eu conseguia estar mais que o tempo necessário para tomar o cafezinho, sempre senti que poderia ter dado outro rumo à minha vida, que não um simples vendedor. Sei que tinha capacidade para mais, e daí talvez toda esta frustração e forma de ser e estar na vida. Até que chega Maio de 2005. Estava eu a atravessar o pior momento da minha vida, com a minha mãe numa cama de hospital a sofrer e à espera que a sua hora chegasse. No dia 1 de Maio, dia de aniversário do meu filho, tive um enfarte ligeiro tendo ficado internado 4 dias. Foi-me diagnosticado estenose nas coronárias principais e uma angina de peito instável. Tabaco, noites perdidas durante anos a fio em ambientes pesadíssimos, stress constante e aquele meu feitio reservado que não me deixava extravasar os meus sentimentos, com a agravante de ser um indivíduo sensível e muito emocional, foram as causas de tudo isto. Minha mãe acabaria por falecer nesse mês, no dia 20.
A partir dessa altura repensei a minha vida e hoje sou quase totalmente diferente, para melhor, julgo eu. Sou mais alegre, divertido, sinto-me mais solto, mais espontâneo, verdadeiro, mais transparente, sem contudo ter deixado de ser sensível, ponderado e consciente dos actos e das decisões que tomo na vida. Ainda existe dentro de mim um pouco do Paulo certinho, direitinho que não tolera a má educação, a falta de respeito e a desonestidade. Sinto que ainda sou, um tudo ou nada, orgulhoso principalmente quando, o que é raro acontecer, sou chamado à razão por qualquer motivo, pois não estou muito habituado a que isso aconteça por ser raro pisar o risco. Sempre me esforcei para que ninguém me tivesse nada a apontar, a mim ou à minha família.
Esta é a “minha fotografia”, agora em tons mais cinza e com mais alguma cor, mas que estou certo vou conseguir, no meu quarto agora menos escuro, transformá-la numa foto mais colorida, mais alegre, mais viva, porque, vale a pena viver.


Paulo Azevedo
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